terça-feira, 6 de junho de 2017

Garimpar nas livrarias exige paciência, mas vale a pena!

Oi, gente!
Tudo bem?
Como andam as experiências de leitura em família?
Sei que já falei aqui que, muitas vezes, encontro livros incríveis, garimpando nas livrarias de minha cidade, Porto Alegre/RS.
E, semana passada, encontrei um livro muito legal, que pode render muitas risadas em casa e ótimos trabalhos na escola.  Trata-se do GRANDE DICIONÁRIO DE MONSTROS PARA APAVORAR. Eu diria que é mais um dicionário de monstros para alegrar, inventar e se divertir.
Toda a vez que eu a minha família vamos ao shopping, passar nas livrarias é obrigatório, mesmo que não compremos nada. Então, no último fim de semana, eu , meu marido ( outro leitor voraz) e meu filho, fomos ao cinema, mas, antes, entramos numa livraria para dar aquela "clássica" analisada nos livros. Como sempre, fui a última a sair: normalmente, preciso ser retirada à força, pois me perco olhando os livros dispostos ao longo das estantes e prateleiras. Foi perdida nessa "viagem", que um livro me chamou a atenção, primeiramente pela capa: a cor de fundo vermelha, o título em letras  prateadas brilhantes e alguns desenhos de monstrinhos ilustrando o título.
Aquele livro era como mel para abelha: capa atraente; assunto: monstros. Quem é que não gosta desse assunto? Ou melhor: qual criança não adora esse tema?
Então resolvi abri-lo, com a cautela de quem já está vacinada de encontrar livros com capas belíssimas, ilustrações de primeira, mas de conteúdo duvidoso ( aliás, esse é um ponto que defendo: não é porque leremos livros para crianças, às vezes muito pequenas, que devemos escolher o livro apenas pela beleza estética: é preciso que ele diga algo que vá além da forma).
Bem, mas voltando ao nosso dicionário de monstros, a capa fez jus ao conteúdo: dentro dele há uma verdadeira catalogação de monstros por tipo, de A a Z, cada um descrito em suas especificidades, incluindo pontos fracos e forma de serem combatidos.
Só para exemplificar, um dos monstros é o Cacax ( que tem forma de cocô). Há também o Aspiroso ( que engole os brinquedos largados pelo chão) e o Gororobo, que se esconde na comida. Imagine se os filhos pequenos de vocês não adorarão esses monstrinhos! Até meu guri, que tem dez anos, deu uma lida e se divertiu à beça.
Para completar, no final do livro, há dicas para apavorar os monstros e a relação completa dos monstros do dicionário com o nome e a miniatura da ilustração correspondente.
Como sou professora, já imaginei que, em sala de aula, depois de lido o livro para os alunos, eles poderiam criar novos monstros e suas características, por exemplo; depois construí-los com outros materiais; fazer teatro e muitas outras invencionices.
Gostaram da dica de hoje?
Então, o que estão esperando?
#partiugarimparnaslivrarias

Até a próxima!

Cláudia Sepé





sexta-feira, 26 de maio de 2017

O dia que um adolescente conquistou um menino de oito anos



Sempre olhei com desconfiança aqueles sites, blogs e seções de jornais contendo “dicas de”, especialmente voltadas à educação dos filhos: “Nossa, se estamos precisando de manuais que nos ensinem a como conduzir a formação de nossos rebentos, algo parece não estar certo”.
            No entanto, vez por outra, numa hora de desespero, e se o bolso está apertado para pagar a conta de um terapeuta, acabamos nos valendo desse socorro ao alcance de alguns cliques, especialmente em tempos de internet. E em se tratando de literatura, não é diferente.
            Certa vez, achei meu guri meio desanimado para ler. Então resolvi tentar uma das famosas dicas de “como  despertar o interesse pela leitura”. Na época, ele devia estar com uns oito anos de idade, já se interessando por gibis da Turma da Mônica Infantil e alguns mangás ( histórias em quadrinho feitas no Japão, cujos personagens têm os olhos bem grandes). Resolvi dar uma garimpada nas livrarias de minha cidade e descobri uma preciosidade : uma adaptação de Tom Sawyer, de Mark Twain, em quadrinhos. E o mais interessante: as ilustrações eram com traços de mangá! Comecei a folhear as páginas e me encantei com as peripécias do protagonista, o jovem órfão Tom Sawyer, que se envolve em mil aventuras com seu melhor amigo Huck e, por conta das artes que apronta, vive de castigo. Além disso, é apaixonado pela bela menina Becky, a quem vive tentando conquistar. Bem, e onde entra a dica?
            Segundo alguns desses guias motivacionais de leitura, uma tática é deixar o livro em cima de um móvel, bem à vista da criança, assim, como se tivesse sido largado por acaso ali, para que ela o encontre, tipo “achei uma surpresa, o que será?”, para despertar a curiosidade. E foi o que fiz com o Tom Sawyer: deixei-o em cima de nosso sofá da sala. Combinei com as demais pessoas de minha casa para não o removerem de lá. Um dia, entrando em casa, a surpresa: meu filho, sentado no sofá, perninha de índio, concentrado com o livro na mão. Eu disse: E aí, Rafa, encontrou o livro, é?
-       Eu sabia que era pra mim ( deu uma risadinha).
-       E tá gostando?
-       Tô adorando! Esse menino é muito engraçado.
            Daí pra frente, Tom Sawyer passou a ser nosso companheiro noturno de aventuras, pois, às vezes, eu lia algumas páginas para o Rafa antes de ele dormir. E nas partes em que aparecia o Tom querendo namorar a Becky, meu filho ficava todo envergonhado, já dando sinais da pré-adolescência que se aproximava.
            E se alguém tem preconceito com as adaptações, vale a pena rever seus conceitos: elas podem ser a porta de entrada para os originais.
            Fica a dica.
            Até nosso próximo encontro.
                                                             Cláudia Sepé 



                       

O dia que um adolescente conquistou um menino de oito anos

Sempre olhei com desconfiança aqueles sites, blogs e seções de jornais contendo “dicas de”, especialmente voltadas à educação dos filhos: “Nossa, se estamos precisando de manuais que nos ensinem a como conduzir a formação de nossos rebentos, algo parece não estar certo”.
            No entanto, vez por outra, numa hora de desespero, e se o bolso está apertado para pagar a conta de um terapeuta, acabamos nos valendo desse socorro ao alcance de alguns toques, especialmente em tempos de internet. E em se tratando de literatura, não é diferente.
            Certa vez, achei meu guri meio desanimado para ler. Então resolvi tentar uma das famosas dicas de “como  despertar o interesse pela leitura”. Na época, ele devia estar com uns oito anos de idade, já se interessando por gibis da Turma da Mônica Infantil e alguns mangás ( histórias em quadrinho feitas no Japão, cujos personagens têm os olhos bem grandes). Resolvi dar uma garimpada nas livrarias de minha cidade e descobri uma preciosidade : uma adaptação de Tom Sawyer, de Mark Twain, em quadrinhos. E o mais interessante: as ilustrações eram com traço de mangá! Comecei a folhear as páginas e me encantei com as peripécias do protagonista, o jovem órfão Tom Sawyer, que se envolve em mil aventuras com seu melhor amigo Huck e, por conta das artes que apronta, vive de castigo. Além disso, é apaixonado pela bela menina Becky, a quem vive tentando conquistar. Bem, e onde entra a dica?
            Segundo alguns desses guias motivacionais de leitura, uma tática é deixar o livro em cima de um móvel, bem à vista da criança, assim, como se tivesse sido largado por acaso ali, para que ela o encontre: tipo “achei uma surpresa, o que será?”, para despertar a curiosidade. E foi o que fiz com o Tom Sawyer: deixei-o em cima de nosso sofá da sala. Combinei com as demais pessoas de minha casa para não o removerem de lá. Um dia, entrando em casa, a surpresa: meus filho, sentado no sofá, perninha de índio, concentrado com o livro na mão. Eu disse: E aí, Rafa, encontrou o livro, é?
-       Eu sabia que eram pra mim ( deu uma risadinha).
-       E tá gostando?
-       Tô adorando! Esse menino é muito engraçado.
            Daí pra frente, Tom Sawyer passou a ser nosso companheiro noturno de aventuras, pois, às vezes, eu lia algumas páginas para o Rafa antes de ele dormir. E nas partes em que aparecia o Tom querendo namorar a Becky, meu filho ficava todo envergonhado, já dando sinais da pré-adolescência que se aproximava.
            E se alguém tem preconceito com as adaptações, vale a pena rever seus conceitos: elas podem ser a porta de entrada para os originais.
            Fica a dica.
            Até nosso próximo encontro.

                       

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Das gratas surpresas de se ler em família


Das gratas surpresas de se ler em família
Oi, família!
Hoje quero compartilhar uma experiência de leitura com meu filho que foi muito interessante.
Há um tempo atrás, meu filho devia ter uns seis anos, comprei um livro para ele chamado “O menino entregador de jornais”.
A história conta a rotina de um menino que levanta, ainda de madrugada, para entregar jornais nas casas, montado em sua bicicleta e acompanhado de seu cãozinho.
De imediato chamam a atenção as ilustrações belíssimas ( parece que coloridas com giz de cera), especialmente no que diz respeito à representação das casas e da natureza, cujo ponto máximo se vê na representação do amanhecer, com um colorido todo especial. Mas, o que chamou mesmo a atenção de meu filho foi o fato de o menino da história, tão novinho, já trabalhar: o garoto sai de madrugada, enquanto os pais ainda estão na cama, e a irmã menor assiste à tevê na sala. Explico que a realidade retratada no livro não é igual à de nosso país: trata-se de uma realidade estrangeira, muito embora tenhamos entregadores de jornais em nossa cidade, mas dificilmente crianças.
O fato é que até hoje ( meu filho está com dez anos) volta e meia tenho de reler essa história para ele. Bem, foi numa dessas vezes que me dei conta de um dado que me deixou admirada: descobri que o mesmo autor do livro era autor de outro que meu filho também adora “As aventuras do Capitão Cueca”. Quando fiz a descoberta, imediatamente compartilhei-a com meu menino e, a partir disso, discutimos que o mesmo autor é capaz de produzir histórias de gêneros completamente diferentes.
Mais tarde, sozinha, fiquei pensando no porquê de alguns autores tocarem tanto as crianças ( ou algumas delas)- trata-se de alguém que entende bem o universo infanto-juvenil.
Essas são as surpresas que a leitura em família nos traz.
Fica a dica: para quem quiser ler esses livros para seus filhos em casa, saiba mais acessando os links abaixo.

Até a próxima postagem.

http://livraria.folha.com.br/livros/livrinhos-infantis/menino-entregador-jornal-dav-pilkey-1149817.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/As_Aventuras_do_Capit%C3%A3o_Cueca



terça-feira, 22 de novembro de 2016

Quando lemos desde cedo para nossos filhos, mais do que estimular o gosto pela leitura, estabelecemos laços de afeto

Oi, gente.

            Fazia bastante tempo que não aparecia por aqui para trocar umas ideias com vocês.
            Na última postagem, falei sobre a importância de começarmos a ler para nossos filhos desde que eles estão lá em nossa barriga, no bem bom.   
Lembram? 
            Quando nossos filhos estão maiorzinhos, com 1 ano e meio já dá, vale a pena introduzir livros que contenham rima, abinhas de puxar e pop-up (aqueles com dobraduras que saltam das páginas, à medida que as abrimos.)
Meu filho, por exemplo, adorava dois livros da autora Claudia Bielinsky  (Cia da Letrinhas), cujo personagem central, um cachorrinho muito fofo, procura beijinhos pela casa toda ( embaixo do edredom, dentro do armário, atrás da cortina). Enquanto lemos o texto, junto com a criança, vamos levantando o edredom ( todo de papel), abrindo as portas dos armários, levantando cortinas, ajudando o cachorrinho a procurar os beijinhos e, nessa busca, conceitos importantes como família, casa, pais, irmãos vão sendo trabalhados. Aliás, considero a escolha do conteúdo fundamental: às vezes o livro é mais forma do que conteúdo: muito som, cor, imagem, mas o texto deixa a desejar. Então, uma leitura prévia do material é uma boa prática a ser adotada, pois já estamos formando um futuro leitor. Lemos muitas e muitas vezes esse livro  da Cláudia e outro da mesma coleção , o Esconde-esconde na escola.
             Livros desse tipo, chamados livros-brinquedo, são muito atraentes nessa faixa de idade; isso sem falar no texto escrito em forma de poesia ( o jogo sonoro de palavras atrai muito as crianças pequenas). Nessa fase, devemos estar preparados para ler e reler muitas e muitas vezes o mesmo livro para os pequenos, pois adoram a repetição. Vale a pena insistir, pois o resultado compensa, sem falar no quanto de carinho, afeto e amor trocamos com nossos filhos nesses momentos de leitura em família.
            Sempre trabalhei fora– sou professora e cheguei a trabalhar três turnos– mas nunca deixei de ler para meu filho, especialmente antes de colocá-lo para dormir. Às vezes, eu chegava cansada do trabalho e pensava em “pular “ a leitura daquela noite. Mas a lembrança dos momentos afetuosos, lúdicos e prazerosos de leitura junto com meu menino me encorajava a pegar o livro e seguir em frente. Sentava na poltrona, antes usada para a amamentação, colocava meu filho em meu colo, envolvendo-o em meus braços, e , nas mãos, sempre um livro a guiar nossos “momentos literários “. Tenho certeza de que foram guardados com carinho por meu filho também, porque, certa vez, na escola, quando perguntado sobre as situações em que mais gostava de estar comigo, respondeu que era quando eu o colocava para dormir e lia para ele.
            Viram só? Ler para os filhos desde sempre vale muito a pena!

            Beijos e até o próximo post!